O que é tráfego pago: como funciona na prática

Tráfego pago é pagar para colocar seu anúncio na frente de quem tem chance real de virar cliente — seja alguém que já está buscando o que você vende no Google, seja alguém com o perfil certo rolando o feed do Instagram. Você define o público, paga por clique ou por exibição, e o anúncio sai do ar no minuto em que o investimento acaba.

Neste artigo você entende como o tráfego pago funciona por dentro, quais são os principais formatos de anúncio, a diferença entre Google Ads e Meta Ads, quanto custa de verdade, como o clique vira lead (e depois vira venda), quais métricas realmente importam e quando essa estratégia simplesmente não fecha a conta.

O que é tráfego pago, na prática

Tráfego orgânico é o visitante que chega até você de graça — achou seu site numa busca, viu um post, foi indicado. Tráfego pago é o visitante que você comprou: pagou para o Google ou para a Meta colocarem o seu anúncio na frente dele.

A diferença que importa para quem tem empresa não é o preço, é o controle. No pago, você decide quem vê, onde aparece e quanto está disposto a pagar por cada resultado. No orgânico, quem decide é o algoritmo e o tempo — pode levar meses para um conteúdo rankear no Google.

Isso não faz do tráfego pago uma estratégia melhor. Faz dele uma estratégia mais rápida de testar. Você sobe uma campanha hoje e, na próxima semana, já sabe se aquela oferta gera contato ou não.

O mercado brasileiro já se moveu nessa direção. Segundo a Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae, 48% dos pequenos negócios já investiram em propaganda paga na internet — número que sobe para 59% entre as micro e pequenas empresas.

Se preferir ver em vez de ler, gravei um vídeo sobre o mesmo assunto: como o leilão funciona, onde dá para anunciar e em que situação o tráfego pago não resolve o problema do negócio.

O que é Tráfego Pago (e quando NÃO vale a pena)

Como o tráfego pago funciona por dentro

O sistema funciona como um leilão. Você define um público (ou uma palavra-chave, no Google) e quanto aceita pagar.

A plataforma decide quem aparece cruzando três fatores: o seu lance, a qualidade do anúncio (relevância do criativo e experiência da página de destino) e a chance de a pessoa agir — clicar, mandar mensagem ou comprar.

Ou seja: não é o maior lance que ganha, é o melhor lance combinado com o melhor anúncio. Um concorrente pode pagar menos que você e aparecer na frente, se o anúncio dele for mais relevante para quem está do outro lado da tela.

Os dois modelos de cobrança: CPC e CPM

Existem dois modelos principais de cobrança:

  • CPC (custo por clique): você só paga quando alguém clica no anúncio. É o modelo do Google Ads na Rede de Pesquisa — você paga pela intenção de quem já estava procurando o que você vende.
  • CPM (custo por mil impressões): você paga por um pacote de mil exibições, independente de clique. É o modelo padrão do Meta Ads — você paga para aparecer, e o anúncio precisa ser bom o suficiente para gerar interesse sozinho.

Por dentro do leilão: o que realmente decide quem aparece

No Google Ads, esse cálculo tem nome: Ad Rank, ou classificação do anúncio. Ele combina o seu lance com o chamado Índice de Qualidade — uma nota de 1 a 10 que leva em conta a relevância do anúncio, a taxa de clique esperada e a experiência da página de destino.

Na prática, isso significa que melhorar o anúncio e a página de destino reduz o preço que você paga por clique — o próprio Google explica o funcionamento do leilão nesses termos. No Meta Ads, a lógica é parecida: a plataforma pondera lance, taxa de ação estimada e qualidade do anúncio para decidir quem aparece e por quanto.

Isso muda a forma de pensar o orçamento: em vez de perguntar “quanto preciso pagar para aparecer”, a pergunta certa é “como faço meu anúncio ficar bom o suficiente para pagar menos”.

Por que o rastreamento é a peça que falta

Tem uma terceira peça que a maioria dos guias esquece: o rastreamento. Sem um código instalado no site (o Pixel, na Meta, ou a tag de conversão, no Google), a plataforma só enxerga até o clique. Ela não sabe quem virou lead nem quem comprou.

Sem esse dado, o algoritmo otimiza para quem clica, não para quem compra, e são públicos bem diferentes. Por isso o rastreamento vem antes da primeira campanha, nunca depois. O passo a passo está em como instalar o Pixel do Facebook.

Só que o Pixel sozinho já não basta. Bloqueadores de anúncio, as restrições de rastreamento de navegadores como Safari e Brave e a opção de não rastreamento do iPhone fazem o Pixel perder parte das conversões.

A resposta da Meta é a API de Conversões (CAPI): uma conexão direta entre o seu servidor e a Meta, que envia a conversão sem depender do navegador do usuário, como descreve a documentação oficial da Meta.

Hoje, o padrão mínimo é rodar Pixel e CAPI juntos, com deduplicação: um identificador comum que impede a Meta de contar a mesma conversão duas vezes. Em auditorias de contas novas que assumimos na AGL, falha de rastreamento é o problema mais recorrente — e quase sempre aparece antes de qualquer erro de criativo ou de segmentação.

Os principais tipos e formatos de tráfego pago

“Tráfego pago” não é uma coisa só — é um guarda-chuva que cobre formatos bem diferentes entre si. Conhecer cada um ajuda a escolher onde colocar a verba em vez de espalhar o orçamento sem critério.

Tráfego de busca (Rede de Pesquisa)

Anúncios de texto que aparecem no topo dos resultados do Google quando alguém digita uma palavra-chave relacionada ao seu negócio. É o formato de maior intenção de compra, porque a pessoa já está procurando ativamente.

Anúncios de tráfego pago no topo da pesquisa do Google.
Na Rede de Pesquisa, o anúncio aparece para quem já está procurando o que você vende.

Google Shopping

Formato para quem vende produto: o anúncio aparece com foto, preço e nome da loja quando alguém pesquisa aquele item no Google. Não depende de palavras-chave escolhidas por você, e sim do catálogo de produtos enviado ao Merchant Center.

Rede de Display

Banners em imagem ou vídeo veiculados em sites e aplicativos parceiros do Google, como portais de notícia e blogs. Serve mais para reforçar marca e fazer remarketing do que para gerar venda direta na primeira exibição.

Anúncios de display em banner e vídeo nos sites parceiros do Google.
Na Rede de Display, o anúncio vai atrás do público em portais, blogs e apps.

Vídeo e redes sociais (Feed, Stories, Reels)

Formato nativo do Meta Ads e do YouTube Ads: imagem, carrossel ou vídeo curto aparecendo entre o conteúdo orgânico que a pessoa já está consumindo. É onde se cria desejo por algo que o público ainda não sabia que precisava. No Meta, o mesmo anúncio pode aparecer também no Marketplace e nos status do WhatsApp.

Anúncio em vídeo no feed do Instagram entre publicações orgânicas.
No Meta Ads, o anúncio aparece no meio do conteúdo que a pessoa já está consumindo.

Conteúdo patrocinado e parcerias

Quando a marca paga para ter um conteúdo publicado dentro de um portal, blog ou canal já estabelecido, aproveitando a audiência e a credibilidade que aquele veículo já construiu. Costuma ter ticket mais alto e faz mais sentido para marcas com verba de branding, não para quem está testando a primeira campanha.

Conteúdo patrocinado publicado dentro de um portal de notícias.
No conteúdo patrocinado, você paga pela audiência que o veículo já construiu.

Google Ads ou Meta Ads: a diferença que decide onde anunciar

A pergunta certa não é qual plataforma é melhor. É: o seu cliente já sabe que precisa de você, ou você precisa chamar a atenção dele primeiro?

No Google Ads, a pessoa já digitou o que quer — “advogado trabalhista”, “guincho 24 horas”, “clínica odontológica perto de mim”. Seu anúncio aparece porque ela procurou por ele. É busca ativa.

Meta Ads: quando você precisa gerar o interesse

No Meta Ads (Instagram e Facebook), a pessoa está só rolando o feed, sem intenção de compra naquele momento. Seu anúncio aparece na frente dela mesmo assim, tentando gerar um interesse que ainda não existia. É interrupção.

Diferença entre anunciar no Google Ads e no Meta Ads no tráfego pago.
Google captura a demanda que já existe; Meta cria a que ainda não existe.

Comparativo rápido entre as duas plataformas

CritérioGoogle AdsMeta Ads
Como encontra o clienteBusca ativa: a pessoa procura vocêInterrupção: você aparece no feed dela
CobrançaPaga por clique (CPC)Paga por mil exibições (CPM)
Momento da compraCliente já quer resolver o problemaCliente ainda está descobrindo que tem um
Funciona melhor paraUrgência e demanda que já existe (serviço local, advocacia, engenharia)Gerar demanda: marca nova, lançamentos e captação de leads com formulário (imobiliário, educação, estética)

Trate essa tabela como hipótese de partida, não como veredito. Numa conta de médico oftalmologista que gerenciamos, a teoria dizia que o Google venceria — quem precisa de consulta pesquisa por especialista. Rodamos as duas plataformas em paralelo no primeiro mês e o Meta Ads gerou contatos a R$ 4,37 contra R$ 47,24 no Google, com 4 agendamentos contra zero. O caso completo está em tráfego pago para médicos.

Por que usar as duas plataformas juntas costuma funcionar melhor

As duas funcionam melhor juntas do que sozinhas: o Meta apresenta a marca para quem ainda não conhecia, e o Google captura quem já viu o anúncio antes e agora foi buscar sozinho. Detalhamos esse comparativo, com números de contas reais, em Facebook Ads ou Google Ads: qual é melhor pro seu negócio.

Existem outras plataformas — LinkedIn Ads para B2B, TikTok Ads para público jovem — mas, na prática, para a maioria dos negócios brasileiros, a decisão real de onde começar acontece entre Google e Meta.

Não sabe se começa pelo Google ou pelo Meta?

A gente olha a sua oferta, o seu público e a sua margem e diz qual plataforma faz mais sentido para o seu negócio agora, com base em dado e não em preferência.

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Tráfego pago x tráfego orgânico: não é escolha, é sequência

Tráfego orgânico é resultado de SEO, redes sociais e conteúdo — não tem custo por clique, mas leva meses para gerar volume. Tráfego pago entrega volume em dias, mas para no minuto em que a verba acaba.

Na prática, a maioria dos negócios que cresce rápido não escolhe um dos dois — usa o pago para validar o que funciona (qual oferta, qual público, qual dor converte melhor) e o orgânico para sustentar esse crescimento sem depender de verba todo mês.

Quanto custa investir em tráfego pago

A resposta curta: não existe investimento mínimo obrigatório, mas existe um mínimo útil. E o custo total é sempre a soma de três contas diferentes — uma delas quase ninguém coloca na planilha.

Verba de mídia e gestão são despesas diferentes

Confundir as duas é o erro mais comum de quem está começando:

  1. Verba de mídia: o valor pago direto à plataforma (Google, Meta). Esse dinheiro vira anúncio, não remunera ninguém.
  2. Gestão: o valor pago a quem estrutura, acompanha e otimiza a campanha — seja você mesmo, um freelancer ou uma agência.

Quanto investir para ter dados confiáveis

Você pode começar com poucos reais por dia em qualquer plataforma — o Meta aceita orçamentos a partir de cerca de R$ 6 diários. O problema é que isso não gera dado suficiente para otimizar.

Os pontos de partida que usamos na AGL são estes:

  • Google Ads: verba para pelo menos 5 cliques por dia na palavra-chave principal. Se o custo por clique médio do seu nicho for R$ 3, isso dá R$ 15 por dia, ou cerca de R$ 450 por mês só na campanha principal.
  • Meta Ads: R$ 20 por dia como piso para teste. Abaixo disso, a leitura dos dados fica pouco confiável.

O CPC médio da sua palavra-chave você consulta de graça no Planejador de palavras-chave do Google. O cálculo completo, com exemplo real, está em quanto custa para anunciar no Google.

O custo que não aparece no painel: os impostos da Meta

Este é o detalhe que muda a conta de viabilidade de uma campanha inteira e quase nenhum material sobre tráfego pago menciona.

Desde 1º de janeiro de 2026, a Meta repassa 12,15% de impostos (PIS, Cofins e ISS) ao anunciante. Até 2025 ela absorvia esses tributos no próprio custo. O Gerenciador de Anúncios continua mostrando apenas o valor líquido de mídia — os impostos aparecem só na nota fiscal e na fatura.

E tem uma pegadinha no cálculo: os 12,15% não são somados em cima do valor do painel, são calculados sobre o total da nota, no chamado cálculo “por dentro”. Na prática, a nota fica 13,83% acima do que você vê no gerenciador. A conta rápida é: valor real = valor do painel ÷ 0,8785.

O que isso significa para você: um CPL de R$ 30 no painel vira R$ 34,15 de custo real. Se você calcula margem com o número do gerenciador, está subestimando o custo em quase 14%. O detalhamento completo, com uma nota fiscal real de uma conta que gerenciamos, está em como emitir nota fiscal do Facebook Ads.

Quanto custa a gestão de tráfego pago

Os modelos mais comuns de mercado são valor fixo mensal, percentual sobre a verba investida (normalmente entre 5% e 20%) ou um híbrido dos dois. O fixo dá previsibilidade. O percentual acompanha o crescimento da conta, mas cria um incentivo para aumentar a verba mesmo quando isso não se justifica.

As faixas praticadas no mercado brasileiro ficam, em linhas gerais, assim:

PerfilGestão por mês
Freelancer inicianteR$ 500 a R$ 1.000
Freelancer pleno ou especialistaR$ 1.000 a R$ 3.000
Agência pequena ou médiaR$ 1.500 a R$ 4.000
Agência especializadaR$ 4.000 a R$ 15.000

Uma regra de bolso: evite uma estrutura em que o valor da gestão seja maior do que a verba investida em anúncios. Se a gestão custa R$ 1.500, o mínimo em mídia deveria ser outros R$ 1.500. O que muda o preço dentro de cada faixa está em quanto custa um gestor de tráfego pago.

As métricas que você precisa acompanhar

Rodar campanha sem olhar métrica é dirigir de olho fechado. Estas são as que realmente importam — o que cada uma mede e por que ela sozinha não conta a história inteira:

MétricaO que mede
CPC (Custo por Clique)Quanto você paga cada vez que alguém clica no anúncio.
CPM (Custo por Mil Impressões)Quanto custa o anúncio ser exibido mil vezes, clicando ou não.
CTR (Taxa de Cliques)% de quem viu o anúncio e clicou. Termômetro de quanto o criativo é relevante para quem viu.
CPL (Custo por Lead) / CPA (Custo por Aquisição)Quanto custou cada contato gerado, ou cada resultado que de fato importa para o negócio.
ROAS (Retorno sobre o Investimento em Anúncios)Receita gerada dividida pelo valor investido em mídia — mostra o retorno da campanha isolada.
ROI (Retorno sobre o Investimento)O retorno considerando todos os custos do negócio, não só a mídia paga.

Repare que não colocamos faixas de “bom” ou “ruim” para cada métrica — e isso é proposital. Nas contas que a AGL gerencia, o CPM varia de R$ 3,47 a R$ 147,30 dependendo do nicho, do público e do objetivo da campanha. É uma diferença de mais de 40 vezes entre o menor e o maior valor.

Por isso, comparar o seu CPM com o de outra empresa quase nunca ajuda. O que ajuda é comparar com o seu próprio histórico — e cruzar tudo com o CPL, que é a métrica que decide se a campanha compensa. Como ler cada indicador em conjunto está no guia de métricas do Facebook Ads.

Como saber se o seu CPL está bom, sem achismo

Nenhum número de CPL (custo por lead — quanto custou, em média, cada contato gerado) é bom ou ruim sozinho. R$ 20 pode ser caro para quem vende um produto de R$ 100 e barato para quem vende um serviço de R$ 5.000. O que decide é a relação entre o que você paga por lead e quanto esse lead pode gerar de receita.

A conta parte de dois números: a margem de lucro de uma venda e a sua taxa de fechamento (de cada 100 leads, quantos viram cliente). Multiplicando um pelo outro, você chega ao teto de empate: o CPL em que a mídia consome toda a margem da venda.

Ninguém opera no empate. Por isso o número que interessa é o CPL alvo: uma fração desse teto, que deixa o resto como lucro. Quanto reservar é decisão do negócio — há operações que destinam metade da margem ao marketing, outras um terço.

O cálculo aplicado numa conta real

Numa clínica de estética que gerenciamos, o mês analisado fechou assim: R$ 1.938,56 investidos, 96 mensagens, 18 agendamentos e 4 vendas, somando R$ 20.390 de faturamento. O CPL ficou em R$ 20,19.

Esse número é bom ou ruim? Aplicando a conta: o ticket médio do procedimento é R$ 5.097,50 com margem de 30%, o que deixa R$ 1.529,25 por venda. Essa clínica decidiu reservar metade da margem para marketing, o que dá R$ 764,63 de teto para conquistar cada cliente. Multiplicando pela taxa de fechamento de 4,17%, o CPL máximo saudável é R$ 31,86.

Com CPL real de R$ 20,19 contra um teto de R$ 31,86, a campanha não só se paga como tem espaço para escalar. Sem fazer essa conta, o mesmo R$ 20,19 seria só um número no painel.

O cálculo completo, com planilha e três exemplos (clínica de estética, loja de moda e imobiliária, incluindo um caso que não fecha a conta), está em tráfego pago vale a pena: quando o investimento se paga. E para entender o CPL em si, veja custo por lead: como saber se o seu CPL tá caro ou barato.

Como o tráfego pago vira lead (e depois vira venda)

O clique é só a metade do caminho. O que acontece depois dele é o que decide se aquele investimento virou negócio ou virou custo:

  1. O anúncio gera o clique — a pessoa se interessou pelo criativo ou pela palavra-chave.
  2. O destino captura o contato: pode ser uma landing page com formulário, o próprio WhatsApp ou um formulário nativo da plataforma. É aqui que a maioria das campanhas perde performance — anúncio bom levando para um destino ruim é dinheiro jogado fora.
  3. O rastreamento registra o evento — Pixel, CAPI ou tag de conversão avisam a plataforma que aquele clique virou um lead.
  4. O time comercial qualifica o lead — nem todo contato está pronto para comprar agora. É aqui que entram follow-up e, em operações maiores, um CRM.
  5. A venda fecha o ciclo — e, se o rastreamento estiver correto, a plataforma aprende com esse resultado e passa a buscar mais gente parecida com quem comprou.

Onde o funil vaza de verdade

Volte ao caso do oftalmologista citado lá em cima. No primeiro mês, o Meta Ads gerou 462 mensagens a um custo de R$ 4,37 cada. Parece excelente. Só que essas 462 mensagens viraram 4 agendamentos e 3 pacientes.

Esse número é desconfortável e por isso mesmo é útil: volume alto de contato barato só vira resultado se tiver alguém do outro lado respondendo rápido e qualificando bem. Tráfego pago entrega a conversa. Quem fecha é o comercial.

O mesmo padrão aparece numa imobiliária de lançamentos de Curitiba que atendemos: em nove meses, R$ 55.424,13 investidos geraram 3.522 contatos — dos quais 674 tinham perfil, 65 viraram negociação real e 13 fecharam venda. Cerca de 270 contatos para cada imóvel vendido. O funil aberto etapa por etapa está em tráfego pago para imobiliária.

Em nenhum dos dois casos o gargalo estava no anúncio.

Em que situação a conta fecha (e em que situação não)

A conta fecha quando três coisas estão alinhadas: você tem uma oferta com margem que sustenta o custo de aquisição, capacidade de atender a demanda que a campanha vai gerar, e um processo comercial que responde rápido a quem entra em contato.

Lead caro nem sempre é lead ruim

Numa conta de serviço de fundação (estaca hélice contínua), o custo por lead no Google Ads foi de R$ 120,88 — um número que assusta quem está acostumado a comparar com CPL de R$ 5.

Com R$ 604,40 investidos, foram 5 contatos. Desses, 2 viraram contrato. Segundo o próprio cliente, cada obra desse tipo era fechada na casa dos R$ 60 mil. Duas ressalvas honestas: o valor do serviço foi informado pelo cliente, não medido por nós, e 5 contatos não é amostra para virar média de mercado. Ainda assim, o caso ilustra o ponto: num serviço de ticket alto e demanda específica, pagar R$ 120 por contato é barato. Numa loja de roupas com ticket de R$ 200, o mesmo R$ 120 quebraria a operação no primeiro lead.

Quando a conta simplesmente não fecha

Não fecha, geralmente, quando o produto tem ticket baixo e depende de venda única. Uma peça de roupa de R$ 200 com 13% de margem sustenta algo em torno de R$ 2,60 por lead antes de empatar — valor difícil de conseguir hoje em qualquer uma das duas plataformas.

Nesses casos, a saída costuma ser aumentar o ticket da primeira compra ou trabalhar a recompra, não desistir do canal. Se o mesmo cliente compra cinco vezes em 12 meses, o CPL que o negócio suporta sobe junto e a conta volta a fechar. O raciocínio completo, com os três cenários e o cálculo aplicado, está em tráfego pago vale a pena.

Fazer sozinho ou contratar um gestor de tráfego?

Depende do orçamento disponível, do risco que você pode correr enquanto aprende e do valor da sua hora. Um negócio com verba de mídia pequena costuma ganhar mais testando sozinho e validando a oferta antes de contratar. Uma operação que já investe de forma constante costuma perder mais dinheiro tentando aprender do que contratando alguém que já sabe o caminho.

O critério que usamos para responder isso está detalhado em contratar gestor de tráfego ou fazer sozinho. Se quiser entender o que entra na rotina de quem gerencia essas campanhas, veja também o que é gestão de tráfego pago e por que ela define seu resultado. E se a sua dúvida é se a operação está pronta para receber essa demanda, o recorte pela ótica da empresa está em tráfego pago para empresas.

O que muda quando você tem uma agência cuidando disso

Na prática, o que uma agência entrega não é só “rodar o anúncio” — é acompanhar as mudanças constantes das plataformas, testar hipóteses com mais volume de dados acumulados e ajustar a estratégia antes do orçamento ser desperdiçado.

Um exemplo do que isso significa: assumimos uma conta de consultoria de fusões e aquisições em que o clique custava R$ 1,53. Num relatório superficial, isso parece ótimo. Só que o orçamento caía quase todo em termos genéricos: muito clique, nenhuma conversão. Ajustamos a correspondência das palavras-chave e montamos a lista de negativas. O clique subiu para R$ 8,41 — mais de cinco vezes o valor anterior. E foi aí que os contatos começaram a chegar.

Isso não é garantia de resultado. Se a oferta não fecha a conta, nenhuma gestão resolve. O que uma gestão bem feita faz é descobrir isso mais cedo, gastando menos, e escalar rápido o que está funcionando.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre tráfego pago e marketing digital?

Marketing digital é o conjunto inteiro de estratégias para vender online: SEO, conteúdo, e-mail, redes sociais e tráfego pago. Tráfego pago é só uma dessas frentes, a que usa anúncios pagos para gerar visitantes de forma imediata.

Preciso ter site para fazer tráfego pago?

Não obrigatoriamente. Campanhas de Meta Ads podem levar direto para o WhatsApp ou para um formulário dentro da própria plataforma. Uma página de destino bem construída costuma aumentar a conversão e permite um rastreamento mais completo, especialmente no Google Ads.

Quanto preciso investir para começar?

Não há mínimo obrigatório no Google nem na Meta. Na AGL, o mínimo útil é verba para pelo menos 5 cliques por dia no Google Ads e R$ 20 por dia no Meta Ads. Some a isso os 12,15% de impostos que a Meta repassa desde 2026, que não aparecem no painel mas entram na fatura.

Quanto tempo demora para ter resultado com tráfego pago?

Os primeiros contatos podem chegar nos primeiros dias. O resultado consistente só aparece depois da fase de aprendizado da plataforma e dos primeiros ciclos de otimização. Nas contas que a AGL gerencia, isso costuma levar de 2 a 3 meses de operação estruturada.

Tráfego pago funciona para qualquer tipo de negócio?

Funciona para a maioria, mas o retorno depende da margem, do ticket médio e da taxa de fechamento comercial. Produtos de ticket muito baixo e venda única costumam ter dificuldade para sustentar o investimento: uma peça de R$ 200 com 13% de margem sustenta pouco mais de R$ 2,60 por lead antes de empatar.

Um lead mais barato significa que a campanha está melhor?

Não. Numa conta de oftalmologista que gerenciamos, o Meta Ads gerou mensagens a R$ 4,37 e o Google Ads a R$ 47,24 no mesmo mês. Já numa conta de serviço de fundação, um lead de R$ 120,88 gerou dois contratos de alto valor. O que decide é o que acontece depois do contato, não o preço dele.

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